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domingo, 23 de janeiro de 2011

É preciso resgatar o prestigio do exercicio da política

O desprestigio da classe política, principalmente, daqueles eleitos para cargos legislativos (vereadores, deputados, senadores), acaba colocando em dúvida a validade da forma de governo que tenha seus alicerces nos três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. É certo também que embora aparecem com maior evidência os “defeitos” do Legislativo, estes também impregnam o Executivo e o Judiciário. Verdade também que destes três poderes, apenas o Judiciário não esta sujeito ao crivo do eleitor. O acesso aos cargos deste poder se dão via concurso público e depois ascende-se a funções mais elevadas por disposição de um plano de carreira ou indicação política do Executivo (ministro dos tribunais superiores).

Mas se elegemos pessoas que não correspondem as expectativas mais elevadas no que diz respeito ao caráter para os outros dois poderes, não seria a eleição de candidatos a cargos do Judiciário, livre deste mal. Tanto mais que para tais cargos os candidatos não poderiam serem menos que doutores num área especifica, o direito. Tal, formação e mesmo nenhuma formação se exige para os candidatos aos cargos do Legislativo e do Executivo. Quando muito que saibam ler e escrever. Aliás, teríamos vereadores, deputados e senadores, diferentes do que estes que elegemos se para a candidatura a estes cargos o requisito mínimo fosse ensino superior? Por certo, não se pode afirmar prerreptóricamente, que sim. O mal maior dos nossos representantes eleitos, que nós decepcionam, não é a formação intelectual, a escolaridade, mas o caráter.

Por outro lado, a que se pensar que os representantes são eleitos com base no conceito que os eleitores fazem a cerca dos princípios éticos, morais que tem de si mesmos. É mais difícil, educar o caráter do que o intelecto. Mas, mesmo que nossos representantes legislativos (vereadores, deputados e senadores) e mesmo do Poder Executivo, sejam reflexo da sociedade, observa-se que aqueles que desvirtuam ou desmerecem o cargo ao qual foram alçados pelo voto, num processo livre e democrático de escolha, não são a maioria que refletem apenas a parte igualmente desvirtuada da sociedade. Até por que esta não é majoritária, assim como não são majoritários os maus políticos. Faz-se disso o certo que há espaço para, numa democracia, se exercer a critica e usar-se dos meios legais para buscar fiscalizar e corrigir os órgãos representativos para que os mesmos não sejam usados em prejuízo da democracia mas, antes do seu enaltecimento e afirmação.

Em Estância Velha, infelizmente, o ambiente político beira a decrepitude. Não que seja uma exceção no cenário do estado ou da região. Mas isso não quer dizer que a cidadania não deva agir para buscar corrigir as falhas, aperfeiçoar o processo democrático, enfim, garantir a procedência da democracia como a melhor forma de governo, embora suscetível a falhas, devido a humanos de caráter falho.

A democracia se firma no Brasil, entre nós, pelo principio da representatividade. Para o exercício do Poder Legislativo, para elaborar leis e fiscalizar a sua execução, numa democracia se organizam partidos que representam partes do todo da sociedade, pois, esta nunca será homogênea nos seus interesses, concepções e conceitos. Na disputa política as pessoas se aproximam em partidos onde formatam seus princípios ideológicos a cerca do funcionamento da sociedade.

Hoje, no Brasil, temos três dezenas de partidos constituídos formalmente (em Estância Velha, existem, desses, pelo menos, 8 constituídos junto a Justiça Eleitoral local). Tal quantidade de partidos leva a uma interrogação: a diversidade ideológica da população é tamanha que se necessite de tantas agremiações para acomodá-las? Ou será que tal “diversidade” partidária não ocorre apenas para acomodar interesses minúsculos e particulares? De fato, representam as idéias de grupos que conquistar a adesão da maioria que delas divergem? Como querer ter, advindo desta plêiade de partidos, só políticos probos? O exercício da cidadania impõe que busquemos os espaços democráticos e legais para que o exercício de cargos eletivos sejam plenos de prestigio, ratificando a Democracia como a forma de governo firmada no principio da plena liberdade em todos os sentidos, principalmente, naquela liberdade cujo limite é a liberdade do outro.

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