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sexta-feira, 16 de março de 2012

Enquete revela decepção com o Executivo mais do que com Legislativo

Por curiosidade, adicionei ao blog uma pesquisa, sem qualquer caráter cientifico.  Ela buscava instigar os visitantes a responder a duas perguntas, ambas poderiam ser relacionadas a Estância Velha, municipio foco do blog ou poderia estar relacionadas a qualquer outra cidade da região ou pais, uma vez que observo que os acessos ao blog são majoritariamente de Estância Velha, mas há também de outras cidades e regiões do estado e do pais.

A questão: Você lembra em quem votou para prefeito na eleição de 2008, 58% dos participantes responderam que sim, 5% que não lembravam e 35% que lembravam mais tinham vergonha do voto.

Já a questão: Você lembra em quem votou para vereador na eleição de 2008, 47% disseram lembrar; 41% responderam que não lembravam e 11% que lembravam mas queriam esquecer, ou seja, decepção com o voto dado.

É interessante a enquete - sem qualquer valor cientifico - que revela algo que deve estar presente no eleitorado de todo o pais. É certo que é memória do eleitor sobre menos do esquecimento do voto dado nas eleições municipais do que nas eleições gerais.  No município o voto é em candidatos da paróquia, mais proximos e, por certo, em menor número do que a disputa que se dá nas eleições para deputados, senadores, presidência da República e governo do estado.  É muita coisa para se guardar na memória.  E neste caso ultimo, a grande maioria "vota em qualquer um".  No caso do município o voto é mais seletivo. De qualquer forma, observa-se também que a memória é mais curta em relação aos candidatos que concorreram ao Legislativo do que ao Executivo, por uma razão óbvia: estes ultimos são em menor número do que os outros.

Acredito que boa parte dos votantes nesta enquete são de Estância Velha, por quanto, reflete a realidade politica vivida no município a partir do resultado das eleições de 2008.  O mandato do Executivo atual, pelo visto tem mais de decepção do que possa aparecer no mandato do Legislativo, embora este tenha sido protagonista de fatos que causaram muita indignação na população.   É de se ver, porém, que em relação ao Executivo, dentre os que manifestaram de forma direta a sua opinião com a Administração Municipal,  pelo menos, um terço  esta profundamente decepcionada com o atual mandatário que seu voto elegeu (considerando ai que a decepção não seja com o fato de ter votado nos candidatos derrotados). Por certo, que a decepção com o Executivo é maior do que com o Legislativo, por que naquele estão depositados anseios maiores do eleitorado, visto que o prefeito é o que faz, que tem compromissos de gestor e administrador dos bens e serviços que o Poder Público deve disponibilizar a população a partir dos tributos que o povo paga.

De qualquer forma, seria interessante tentar conhecer o pensamento e opinião da população em relação ao futuro, ao que se vislumbra das alternativas de candidatos a candidatos e, inclusive, do candidato a reeleição, visto que prefeitos em primeiro mandato tem este direito de submeterem ao julgamento popular o mandato que estão cumprindo.  Vou experimentar uma enquete com este tema.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Câmara aprova remuneração de agentes politicos para o mandato de 2013/2016

A Câmara de Vereadores de Estância Velha, aprovou ontem, em segunda votação, o projeto de lei que estabelece a remuneração para prefeito, vice-prefeito, vereadores e secretários para o proximo mandato (2013/2016). Sem qualquer debate mais amplo e publico, como sói acontecer, via de regra sobre estes assuntos envolvendo remuneração e gastos de agentes politicos. O projeto agora segue para sanção do Executivo. 

O prefeito Waldir Dilkin (PSDB), já manifestou que vetaria o projeto no item que diz respeito a remuneração do prefeito.  Mais um jogo de cena para um ano eleitoral.  Houvesse sincera intenção nisso, teria o prefeito colocado o tema a discussão pública mais ampla, chamado a sociedade (aliás, a nossa sociedade e população, via de regra alienada dos fatos da conjuntura politica, só se apresenta quando provocada e convocada e, olhe lá).   Nesta questão da remuneração, quando circulou a noticia de que o tema estaria na pauta das sessões da Câmara desse inicio de ano, por certo, não se acharia um cidadão a não ser os vereadores, que fosse a favor dos valores estabelecidos no projeto, mas todos se calaram.  Todos ficam sempre esperando que alguém puxe a frente, enfrente a indisposição politica que isso causa.  Se esse alguém não aparece, a caudalosa água do rio das invenções politicas flui com tranquilidade.  Foi o que aconteceu neste caso.  Não há quem não manifeste, quando se toca no assunto algum grau de indignação, mas logo volta a dormir o sono dos criticos omissos.

Com a proposta aprovada pelos vereadores, o salário do prefeito, vice, secretários e vereadores, chegou neste inicio de ano em R$ 9.963,04; R$ 3.320,97; R$ 3.323,52 e R$ 2.693,00, respectivamente, terão reajustes que variam de 23% podendo chegar a 48%.

O salário do cargo de  prefeito passará para R$ 11.000,00. Um reajuste em relação a situação atual de 10,40%. Já o salário do vice-prefeito, é para ficar estabelecido em R$ 4.100,00, mesmo patamar para o salário dos secretários municipais. Esta nisso um aumento de 23,47%.

Já os vereadores não estabeleceram um quantitativo salarial a vigorar a partir de janeiro de 2013. O projeto apenas estabelece que o valor será de 20% do salário de um deputado estadual para aquele ano. Hoje este salário é de R$ 20.042,34. Aplicado o percentual pretendido pelo Legislativo, o salário de um vereador para o primeiro ano do próximo mandato será de R$ 4.008,46. Ou seja, um reajuste de 48,84% sobre o vencimento atual. É de dizer ainda que sobre este valor implica também o valor pela realização de sessões extraordinárias. Em Estância Velha, cada sessão extraordinária, convocada pelo Executivo, rende R$ 1.077,24 para cada vereador. Em 2011, foram gastos R$ 49.084,74 para estes pagamentos, uma média de R$ 5.453,86, por vereador, ou seja, quase dois salários a mais. Somando tudo isso, cada vereador titular, custou, no ano passado R$ 40.336,83, ao cidadão.


Agora com esta remuneração "atraente" para o cargo de vereador, certamente, os partidos terão pouca dificuldade em compor uma nominata para concorrer ao Legislativo em outubro.   Diga-se que cada partido pode apresentar, no máximo, 13 candidatos para a Câmara.  Na ultima eleição tivemos cerca de 100 candidatos.  Este ano como surgiram novos partidos na cidade, certamente, passaremos dessa marca, ainda mais "atiçados"  pela perspectiva de em 4 anos, garantir uma remuneração pelo "trabalho" legislativo, de R$ 192.384,00.  Valor que dificilmente, a maioria dos vereadores, mesmo os atuais, conseguiria auferir no mesmo período, trabalhando na iniciativa privada.

Por outra conta, é de considerar pelo valor da remuneração do vereador em Estância Velha, que se trata de um bom investimento buscar uma vaga no Legislativo.  É certo que é um investimento de risco.  Mas observe-se: uma campanha austera onde se produza 60 mil "santinhos" (10x15) em papel couche 170g, impressão em 4 cores, frente e verso, se teria um custo, apenas ao redor de R$ 2.500,00.  Os 60 mil santinhos consideram 2 santinhos para cada eleitor de Estância Velha.   Junto a esta despesa, outras indiretas (considerando ainda uma campanha "austera") incidem sobre a campanha já que bater de "porta em porta", implica em gastos também, quando não um ou outro jantar ou festa de que participe, a não ser que seja como um destes "eternos vereadores" como Claudio Hansen (ex-PMDB, ex-PDT, ex-PT e hoje, PSB), ou Dudu (eternamente do PMDB), ou então, Gringo (ex-PMDB, ex-PSB e hoje no PT)  que tem sua seara (ou curral, como querem alguns), de eleitroes, já há decadas cevada.

 Junte a estas "outras despesas", mais uns R$ 2.500,00.  Então, para uma campanha "austera" mas bem estruturada, um candidato deve dispor - sem que isso faça falta a sua propria sobrevivência - de R$ 5.000,00 para fazer a campanha nos tres meses que antecedem ao dia do voto. Se lograr êxito e se eleger, haverá investimento mais rendoso que este no mundo?  Quanto render-lhe-ia aplicar R$ 5 mil na poupança em 4 anos, a juros mais correção anual, ao redor de 8%?  Aos que pretendem colocar os pés atrás de votos como candidatos é um tremendo incentivo, uma remuneração como a que se terá para o próximo mandato, visto que ninguém ou raros, são candidatos com espírito solidário e franciscano.   Porém, apenas santinhos debaixo da porta ou na caixa postal, não ganham eleição embora possam render alguns votos.  E, ainda, que infelizmente, a cultura dominante é de eleitores que acham que só merece voto o candidato que mostrar "serviço", com um favorzinho aqui outro ali, do qual possa ele se servir, afinal, eleito o mesmo vai viver "a tripa forra!"  Com tal cultura secular, outros séculos talvez levemos para agir e pensar diferente.

terça-feira, 6 de março de 2012

Médicos querem restringir atuação de outros profissionais da saúde

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou na quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012, o chamado Ato Médico. O PL segue agora para análise de duas Comissões do Senado: Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Sociais (CAS).

ENTENDA O ATO-MÉDICO:

O Projeto de Lei do Senado Nº 268/2002 (PLC nº 7.703-C/2006), que institui o Ato Médico, já sofreu algumas modificações ao longo de sua tramitação no Congresso Nacional, mas ainda condiciona à autorização do médico o acesso aos serviços de saúde e estabelece uma hierarquia entre a medicina e as demais profissões da área.

O Conselho Federal de Medicina - CFM afirma que a medicina precisa regulamentar o exercício de suas práticas profissionais, utilizando o argumento histórico de que há dois mil anos não existia um rol de profissões ligadas à saúde, ficando todo diagnóstico e prevenção sob controle dos médicos, num claro objetivo de retomar o controle do mercado.

Em campanha contra essa proposta e trabalhando com base no princípio da multidisciplinaridade na promoção da saúde, adotado pelo SUS - Sistema Único de Saúde, profissionais de diferentes categorias da área de saúde defendem que o CFM se volte para o campo democrático do debate e trate o assunto com uma visão menos corporativista, na tentativa de ampliar a discussão para melhorar o atendimento aos cidadãos. Os médicos podem e devem trabalhar a regulamentação de sua profissão, como forma de a sociedade reconhecer a competência específica desses profissionais, mas não em detrimento de qualquer outra profissão na área da saúde.

O texto atual do PL propõe o retorno a um modelo falido de atenção à saúde, centrado no atendimento clínico, individual, medicamentoso e hospitalocêntrico, o qual não encontra respaldo nem nos organismos internacionais de saúde nem na legislação brasileira, que se valem de um conceito ampliado de saúde e de cuidados.

A discussão envolve todos os profissionais de saúde. A luta tem de ser a favor de ações de saúde que possam tornar o atendimento mais democrático, amplo e eficaz. Os Conselhos de Saúde  permanecem em constante campanha contra o projeto do Ato Médico, demonstrando que o conceito de saúde é muito mais amplo do que apenas o de ausência de doença.

(www.naoaoatomedico.org.br)


quinta-feira, 1 de março de 2012

Ministério da Saúde cria índice para avaliar acesso e qualidade dos serviços

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lança, nesta quinta-feira (1), em Brasília, o Índice de Desempenho do SUS (IDSUS 2012), ferramenta que avalia o acesso e a qualidade dos serviços de saúde no país. Criado pelo Ministério da Saúde, o índice avaliou entre 2008 e 2010 os diferentes níveis de atenção (básica, especializada ambulatorial e hospitalar e de urgência e emergência), verificando como está a infraestrutura de saúde para atender as pessoas e se os serviços ofertados têm capacidade de dar as melhores respostas aos problemas de saúde da população.
“Além de dar maior transparência ao quadro geral da oferta e da situação dos serviços de saúde, o IDSUS 2012 servirá de base para que os dirigentes dos três níveis - federal, estadual e municipal - tomem decisões em favor do aprimoramento das ações de saúde pública no país”, explica Padilha. O IDSUS 2012 está disponível para consulta de toda a sociedade pelo endereço www.saude.gov.br/idsus.
AVALIAÇÃO – O IDSUS 2012 avalia com pontuação de 0 a 10 a municípios, regiões, estados e ao país com base em informações de acesso, que mostram como está a oferta de ações e serviços de saúde, e de efetividade, que medem o desempenho do sistema, ou seja, o grau com que os serviços e ações de saúde estão atingindo os resultados esperados.
“Como vivemos em um país com grande diversidade, a avaliação considera a existência de seis grupos homogêneos de municípios, que possuem características similares como população, perfis socioeconômicos e epidemiológicos”, explica Paulo de Tarso, diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS/MS. Por isso, esclarece, “não é possível fazer ranking ou comparações entre municípios de grupos diferentes”.
A formação dos seis grupos homogêneos levou em consideração a análise concomitante de três índices: de Desenvolvimento Socioeconômico (IDSE), de Condições de Saúde (ICS) e de Estrutura do Sistema de Saúde do Município (IESSM). Basicamente, os grupos 1 e 2 são formados por municípios que apresentam melhor infraestrutura e condições de atendimento à população; os grupos 3 e 4 têm pouca estrutura de média e alta complexidade, enquanto que os grupos 5 e 6 não têm estrutura para atendimentos especializados. A proposta é unificar em grupos cidades com características similares.
SITUAÇÃO – De acordo com o índice, o Brasil possui IDSUS equivalente a 5,47. A região Sul teve pontuação de 6,12, seguida do Sudeste (5,56), Nordeste (5,28), Centro-Oeste (5,26) e Norte (4,67). Entre os estados (ver tabela no fim do texto), possuem índices mais altos os da região Sul - Santa Catarina (6,29), Paraná (6,23) e Rio Grande do Sul (5,90). Na sequência, vêm Minas Gerais (5,87) e Espírito Santo (5,79). As menores pontuações são do Pará (4,17), de Rondônia (4,49) e Rio de Janeiro (4,58).
De acordo com o IDSUS 2012, as maiores notas por Grupo Homogêneo foram: 7,08 para Vitória (ES), no grupo 1, e 8,22 para Barueri (SP), no grupo 2. Na sequência, nos grupos 3 e 4, vêm 8,18 para Rosana (SP) e 7,31 para Turmalina (MG). Nos grupos 5 e 6 os destaques foram Arco-Íris (SP) e Fernandes Pinheiro (PR), com IDSUS de 8,38 e 7,76, respectivamente.
MODELO –O IDSUS 2012 é resultado do cruzamento de 24 indicadores, sendo 14 que avaliam o acesso e outros 10 para medir a efetividade dos serviços. No quesito acesso, é avaliada a capacidade do sistema de saúde em garantir o cuidado necessário à população em tempo oportuno e com recursos adequados. Entre esses indicadores estão a cobertura estimada de equipes de saúde; a proporção de nascidos vivos de mães com sete ou mais consultas pré-natal; e a realização de exames preventivos de cânceres de mama, em mulheres entre 50 e 69 anos, e de colo do útero, na faixa de 25 a 59 anos. Dos indicadores de acesso também constam os de internação para tratamentos clínicos e para cirurgias de média e alta complexidade (como transplantes e cirurgias de coração e de rins), entre outros.
Já na avaliação de efetividade, ou seja, se o serviço foi prestado adequadamente, encontram-se itens como a cura de casos novos de tuberculose e hanseníase; a proporção de partos normais; o número de óbitos em menores de 15 anos que foram internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI); e o número de óbitos durante internações por infarto agudo do miocárdio.
“O IDSUS 2012 é uma ferramenta que passa a ser incorporada na análise, a ser feita pelos gestores do Sistema Único de Saúde, para detectar falhas e pontos positivos na oferta de serviços e atendimento ao usuário”, diz o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Nos casos em que a avaliação apontar carências, os gestores do SUS, que estão nos estados, municípios e na União, estarão melhor informados para adotar medidas corretivas”, completa Padilha.
Como fundamento teórico, o IDSUS 2012 utilizou o Projeto Desenvolvimento de Metodologia de Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde Brasileiro (PRO-ADESS) – projeto da Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, foi empregada uma série de métodos estatísticos como os utilizados nas avaliações e pesquisas realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).
O levantamento de dados para divulgação do IDUS 2012 será realizado a cada três anos. Desde a idealização até a fase de finalização, o índice foi construído com a participação de vários segmentos do governo, técnicos, acadêmicos e com a participação e aprovação do Conselho Nacional de Saúde.

As notas de municipios da região:








Os dados estão disponíveis no endereço eletrônico www.saude.gov.br/idsus.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homenagem

Hoje, fazem 20 anos que perdi um grande amigo e quase um "meio-irmão" meu, Itiberê Figueira Osório.  Em 1988 foi candidato a prefeito pelo PDT, na segunda eleição direta para prefeito, depois do fim da ditadura no municipio de Três Passos. Filho de um histórico defensor dos presos politicos naquela região, o advogado Benjamim da Silva Osório (que havia recentemente falecido), fez uma campanha politica diferenciada e unica, da qual participei intensamente, percorrendo todos os recantos do município (a época o segundo maior municípios em propriedades de minifúndio do Estado). Eram quatro candidaturas. A dele apostavam que carregaria a lanterna na disputa. 

Supreendentemente, chegou em segundo lugar e o seu partido, elegeu três vereadores, quando não tinha nenhuma representação na Câmara Municipal. A derrota plantou a semente de uma possível vitória no próximo pleito, foi o que logo se viu. Infelizmente, em 1992, sofreu um acidente automobilistico quando se dirigia ao trabalho. Venho, depois de 45 dias no hospital, veio a falecer em 28 de fevereiro, uma semana após o nascimento do seu filho. 

Presto aqui esta homenagem a este amigo e "meio-irmão" de sonhos e ideais. Não acredito em destino, mas na encruzilhada de 92, a história que caminhava em linha reta, repentinamente, mudou de direção. E com ela eu, e outros. É da vida, nos surpreender.
Cartazete da campanha para a prefeitura de Três Passos de 1988.



Reproduzo um artigo que foi publicado no Jornal Atualidades de Três Passos, edição de 16.10.1992, findo o processo eleitoral de 1992.

Três Passos, 16 de outubro de 1992.


Caro amigo e irmão,

Escrevo-lhe esta carta passado já o calor da campanha, contados os votos, definidos os perdedores.  Escrevo também na saudade da tua ausência  e das longas conversas que a estas horas, certamente, estaríamos tendo.  Fico até a imaginar o que constaria nas páginas da história que nestes dias escrevemos em Três Passos, com a esta eleição, se aqui estivesses.  Pelo que vivenciei nesta eleição, não creio que o resultado pudesse ser diferente, mas a forma como e ele se deu, certamente, seria outra.
Lembro-me de uma vez em que eu te perguntei (quando concorrestes em 88) no que achavas que éramos melhor e mais capacitados do que os nosso adversários para assumir uma Prefeitura. Tu, de pronto, respondestes: “Não creio que sejamos melhores, isto até seria muita prepotência, mas de uma coisa tenho certeza, somos os mais bem intencionados.”
Tal sentimento que nutrias em relação aos companheiros de militância é que deram a ti a ascendência e liderança sobre todos.  Foi com tal sentimento que,  após tua partida inesperada, nos dedicamos a mais esta campanha.   O companheiro e “irmão” teu e meu, o Valdomiro, tomou a bandeira.  Seguiu em frente. De peito aberto, como é a sua marca. Imbuído de ideais e sonhos, de projetos e propostas simples e caseiras. Falou ao povo abertamente como tu falavas.   Em alguns momentos foi veemente e até contundente.  Em tudo eu sempre vi nele a certeza do que era preciso ser feito e dito, mesmo que, às vezes, as palavras parecessem duras demais.
Ao lado do Valdomiro, tínhamos a companheira Maureen.  Que mulher de inestimável valor  e qualidade, amigo!  Sem dúvidas, o PDT sempre apresenta as melhores alternativas em candidaturas em Três Passos.  Em 85, foi assim. Em 88, tu mesmo destes a qualidade daquela eleição e, agora, em 92, o Valdomiro e a Maureen.
Fizemos uma campanha como tu farias se cá estivesses.  Austera, diante da pobreza da nossa militância e da grande maioria do nosso povo. Honesta e sincera, pois não é da nossa índole a pratica da corrupção eleitoral e nem tentar iludir o povo com promessas descabidas. Ressalto aqui o empenho de toda a nossa militância e, principalmente, dos companheiros candidatos a vereadores.  Desde o mais votado ao menos votado, todos leais e empenhados.
Apesar disso tudo, ainda não foi desta vez que o povo decidiu nos provar, nos experimentar.  Não levo disso nenhuma mágoa.  É da política, dirias. Também não atribuo culpa a ninguém.  Como você, sempre acreditei nesta terra e neste povo. Como você, sempre vou amar este pedaço de chão e a sua gente.
Penso que ser derrotado pelo poderio econômico, pelo dinheiro, não é derrota. Ser derrotado por aqueles que se utilizam do poder que tem na mão contra a fome, o sofrimento e as necessidades que passa o nosso povo, não é derrota. Não é derrota poder contemplar de consciência tranqüila o desfile dos vencedores.  Penso que, se não vencemos desta vez, é por que uma parcela do povo ainda não conseguiu compreender que as idéias do PDT não cabem dentro de uma garrafa de cerveja, de um terno de camisetas, de um minúsculo rancho ou de uma receita de remédios.
De qualquer forma, cumprido o nosso dever de cidadãos, continuaremos a nossa caminhada, vigilantes e atentos, prontos a colaborar e também a criticar, pois, acima de tudo, neste grave momento por que passa o nosso Brasil é necessário que o povo se sinta responsável pelos PCs, Collor e até Jabes Rabelos que venha a eleger para a prefeitura e Câmara de Vereadores.
Ao finalizar, enquanto a saudade aperta no peito, sinta, em espírito o forte abraço que eu gostaria de te dar, meu irmão.  Continuo na luta, junto com os companheiros, não apenas por ti, mas, principalmente, por mim mesmo e por esta amada “terrinha dos três-passinhos”. De resto, creio que Fernando Pessoa tinha razão: “Navegar é preciso, viver não”. Fique bem, aonde estiveres.
Do amigo e “irmão”,
Daniel





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uns avançam, outros estacionam, quando não; regridem.

Passei uns dias das férias em Três Passos, minha cidade natal, de onde sai em 1990.  

Na década de 80, tinha cerca de 40 mil habitantes, 5 hospitais e uma unidade básica de saúde. Perdeu parte do seu territorio com emancipação de Tiradentes do Sul e Esperança do Sul, e muito da sua população  com a migração.  Eram tempos de quando não existia o SUS e da visão de saúde centrada na doença (hospitalocêntrica).  Hoje as ações e politicas de saúde partem do principio da promoção e da prevenção em saúde. Nisso se insere a Estratégia de Saúde da Familia.

Hoje tem 23.910 habitantes, um hospital referencia regional de média complexidade (com UTI e este ano com a implantação de Centro em Traumatologia), 8 unidades de saúde da familia, um núcleo de apoio a Estratégia de Saude da Familia (NASF), uma Farmácia Básica, um Centro de Apoio PsicoSocial (CAPS) e, está em construção uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) regional.   Parte destas conquistas se deram no atual mandato (tres USF, NASF, UPA, Traumato).   Ah! A despesa com saúde no município, em 2011, correspondeu a 15,68% das receitas correntes do orçamento do município (a constituição estabelece, no minimo, 15%). Diga-se ainda, que em 2010, este percentual foi de 18,64% e em 2009 de 17,26%. 

Todas tem identificação como Unidades de Estratégia de Saúde da Familia por que são diferenciadas das antigas UBS
Todas as unidades de ESF obedecem a um padrão estético que as diferencias de unidades convencionais.

Vejamos agora Estância Velha (43 mil habitantes), no mesmo período. Um hospital de baixa complexidade, oito equipes de Estratégia de Saude da Familia, um centro de especialidades, um CAPS, uma Farmácia Básica. A estrutura de hoje é a mesma de 2008. . Quantas novas unidades e equipes de Estratégia de Saúde da Familia foram implantadas (aliás, a administração trata tudo por unidade básica de saúde, termo da década passada)? Tem NASF? O CAPS foi ampliado? O hospital ampliou sua capacidade e serviços?  Qual o percentual de gasto do município com saúde em nos mesmos anos correspondentes? 2011, 30%; 2010, 29,89% e 2009, 27,39%.   

Comparações interessantes. Ah! A administração de Três Passos é resultado de uma coligação do PTB, PP e até do PT. A de Estância Velha, tem no comando o PSDB, PMDB, PP e outros Ps.

Obra do pórtico recebe placa de identificação nova e também reparos

Finalmente, a Administração Municipal de Estância Velha, depois de um ano, fixou na "obra" do pórtico, a placa com a informação real das origens dos recursos empregados na mesma.  O valor total da obra conforme o licitado, foi estipulado em R$ 249.318,29.  Deste valor, R$ 195.000,00 são oriundos de repasse do Ministério do Turismo do que seria de uma emenda parlamentar assinada pela deputada federal Manuela D'Àvila (PCdoB).  Acontece que prevê a lei que obras nas quais sejam utilizados recursos federais devem ter esclarecidos estes valores em placa de identificação.  Tal não ocorreu e, por isso, apenas em dezembro a União empenhou o valor total a favor do município, mas pagou apenas R$ 85.663,50.  

Não se compreende que tipo de ganho tem a Administração em realizar uma obra com recursos da União e desconsiderar os aspectos legais - no caso apenas o registro em placa - de que a execução do projeto tem também recursos federais.  Desgaste desnecessário que levou ao atraso da obra. Definitivamente uma atitude de pura tosquice politica.

Ainda, observando de perto a "obra" do pórtico, nota-se que há já ações de correção ou, no mínimo, alguma ação da empreiteira não correspondeu ao projeto, ou estariam os fundamentos com problemas.  De qualquer forma, visto que a União já pagou uma parcela ao municipio, agora talvez a "obra" seja concluída, na sua totalidade e inaugurada com alguma pompa e foguetório, por mais questionada que seja o projeto modernista da mesma.

Placa da obra sem identificação da origem dos recursos comprometeu  o repasse dos mesmos pela União.
Para poder receber os recursos e concluir a obra a Prefeitura teve que fazer uma placa de identificação nova

Obra ainda não esta concluída e já recebe remendos e correções.