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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Época de soltar “balões de ensaio” de candidaturas

Vice-prefeita de Waldir Dilkin, ensaia candidatura à Assembléia Legislativa
Este ano tem eleição para presidente, governador, senador e para a Câmara Federal e Assembléia Legislativa. Como regra  já pipocam alguns nomes nas "listas" de “pré-candidatos”   para a Câmara Federal e para a Assembléia Legislativa.   Em Estância Velha, o PMDB foi o primeiro partido – e, talvez seja o único -, a apresentar um nome com a pretensão de representar o municipio e a região na disputa por uma vaga na Assembléia Legislativa.  O nome colocado no “balão de ensaio” pré pré-eleição foi o da vice-prefeita, Ivete Grade. Um nome desconhecido no cenário politico tanto do município quanto da região, até a eleição municipal ultima. A ação politica anterior a sua candidatura a vice-prefeita na chapa com o prefeito José Waldir Dilkin (PSDB), resumia-se, no máximo, a trabalhar pela eleição do pai, o multi-reeleito vereador João de Godoy, o Dudu, o do irmão que chegou a substituir o pai na Câmara de Vereadores no mandato 2006-2010.

A fora isso é de se dizer que Estância Velha, nunca teve potencial politico, suficiente para garantir a eleição de uma candidatura que tivesse nele domicílio eleitoral. Raríssimas vezes, nos seus mais de 50 anos de emancipação apresentou para as disputas eleitorais no âmbito estadual, candidatos de envergadura.  

Em 1998, por exemplo, o ex-vereador João Dutra, foi apresentado como candidato a deputado federal pelo PT.  Ele fez  2.697 votos no município, ou seja, 19,29% dos votos válidos, porém no estado todo, somou mais 998 votos, totalizando 3.695 votos.  Naquele ano, Estância Velha registrava  21.208 eleitores, destes, 18.693 compareceram para votar. 

Em 2002, para a Assembléia Legislativa, os eleitores estancienses distribuíram seus votos entre 268 candidatos. Desses os mais votados foram: Jair Foscarini (PMDB), 3.583 votos; Ronaldo Nado Teixeira (PT), 2.272 votos; Floriza Santos (PDT), com 1.911 votos; João Fixinha (PP), 1.466 votos; Gerson Peteffi (PP), 1.384 votos, Ronaldo Zulke (PT), 1.149 votos e Jussara Cony (PCdoB), com 559 votos. Juntos estes somaram 12.324, ou seja, 55,98% do total de eleitores que compareceram para votar.   Para a Câmara Federal, 138 candidatos “pescaram” votos em Estância Velha. Desses, os mais votados foram, Tarcisio Zimmermann (PT), 4.568 votos; Julio Redeker (PP), 4.383 votos; Eliseu Padilha (PMDB) com 1.338 votos; Cleonir Bassani (PSDB), 556 votos; Ary Vanazzi (PT), fez 553 voto; Raul Carrion (PCdoB), 501 votos e Cezar Schirmer (PMDB) com 416 votos. Todos estes somam um total de 12.774 votos.

Em 2006, 325 candidatos a deputado estadual fizeram votos em Estância Velha. Destes, os mais votados foram:  Arnaldo Kney (PSDB), 2.413 votos;  Ronaldo Nado Teixeira (PT), fez 1.821 votos; Ronaldo Zulke (PT), 1585 votos; Paulo Borges (PFL/DEM), somou 606 votos; Luiz Schmidt (PT), 581 votos; Ralfe Cardoso (PSOL), 536 votos; Paulo Odone (PMDB), 463 votos; Cláudio Barros (PSB), 468 votos; Cleonir Bassani (PSDB), 430 votos.  Todos juntos somam 9.512 votos. Para a Câmara Federal, 195 candidatos garimparam votos no município em 2006. Os mais votados foram: Manuela D’Avila (PCdoB), com 4.253 votos, correspondente a 19,14 dos votos válidos no município; Julio Redecker (PP) alcançou  3.477 votos; Tarcisio Zimmermann (PT), 3.580 votos; Henrique Fontana (PT), 1.467 votos.  Depois vieram Renato Molling (PP), 690 votos; Eliseu Padilha (PMDB), 563 votos; Vicente Selistre (PSB), 507 votos e Luciana Genro (PSOL), com 485 votos.  Todos estes alcançam um total de 16.077 votos.

Na eleição de 2010, Estância Velha, teve três candidatos com domicílio eleitoral no municipio,  Julio Ferraz (PT), conseguiu 93 votos em Estância Velha, de um total de 1.751 votos.  Plínio Hoffmann somou 4.160 votos no município, de um total de 6.099. A professora Carin Dries, de um total de 189 votos, obteve 117 em Estância Velha.  Carin, evidentemente, como militante do PCdoB, apenas “emprestou” o nome para fechar o percentual da cota feminina que os partidos tem que apresentar nas suas nominatas.  Campanha mesmo fez Plínio Hoffmann.  Julio Ferraz, também como sindicalista (Sindicato dos Telefônicos) nenhuma expressão tinha em Estância Velha e pouca no estado. O resultado foi uma votação simbólica.

Uma candidatura estadual, envolve mais do que uma excelente capacidade de angariar votos a partir do seu município de domicílio.  Envolve a construção, já anterior de uma rede de apoios em outros municípios, seja a região ou além dela.  Em 2010, o deputado estadual do PMDB eleito por ultimo, apresentou 37.971 votos. Por outro lado, os 27.052 eleitores que compareceram as urnas na ultima eleição no município, distribuíram seus votos entre  184 candidatos a deputado federal, dos quais o mais votado no município foi Manuela D’Avila, com 5.139 votos, dos 482.590 que obteve em todo o estado.  Para deputado estadual,  322 candidatos fizeram votos no municipio.  Destes, o mais votado foi o hoje prefeito de Novo Hamburgo,  José Luiz Lauermann (PT), que aqui somou 4.702 votos dos  46.541 que obteve na região.  


 Outra pergunta que surge quando se apresenta uma candidatura ou pré-candidatura a um cargo politico é: quanto custa uma eleição para este ou aquele cargo?  

Conforme dados do TRE-RS,  Manuela D’Ávila (PCdoB), informou que gastou R$ 1.048.275,55 para se eleger a Câmara Federal. Ou seja, cada voto conquistado custou R$ 2,17. Considerando  os votos que fez em Estância Velha,  estes  lhe custaram um total de R$ 11.162,87.  

José Luiz Lauermann, declarou que gastou R$ 551.672,55 para se eleger (e depois renunciar para ser candidato a prefeito em Novo Hamburgo). Cada votou a ele dado teve um custo de R$ 11,85.  Também levando em conta a votação que fez em Estância Velha, foram necessários R$ 55.735,04.   

Candidatos mais votados em Estância Velha em 2010 e gastos de campanha
Embora não se possa confiar  nos valores fornecidos pelos candidatos ao TRE, como se fossem a realidade dos seus custos de campanha, é de se inferir que uma candidatura que se queira com potencial, além do lastro político para além das fronteiras do município, necessita de um lastro financeiro substancial, via de regra, não inferior a R$ 500 mil.   Quem banca tudo isso?  O partido? As economias do candidato e sua família? As doações de militantes e pessoas que acreditam no candidato como seu representante na Assembléia Legislativa ou na Câmara Federal?  

Uma campanha política para qualquer cargo, evidentemente, se inicia com uma intenção e, não raro, fica só nisso. Uma campanha política é sempre uma disputa encarniçada, a não ser que se queira apenas “fazer número”, marcar território, testar a capacidade eleitoral a nível local para pretensões, igualmente, locais futuras. No final é justamente isso que pretendem muitas candidaturas, tirando aquelas que são apenas para preencher a cotas de candidatas mulheres.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma pergunta pertinente: CPI convocará o ex-secretário Tarcisio Staudt, causa do relatório que a originou?

 Embora os vereadores tivessem rejeitado, "por vicio de origem", um pedido protocolado por dois cidadãos onde, ao final, postulavam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o intuito de investigar supostos mal feitos da Administração Municipal, cumpriram a palavra de que seguiriam o rito regimental e aprovariam a abertura da mesma, por eles mesmos.  Foi o que ocorreu, na sessão do dia 04 ultimo. Deve-se dizer que, embora o pedido de abertura de CPI, não tivesse a assinatura da totalidade dos vereadores, a aprovação do pedido teve o voto unânime.  Ato contínuo, no dia 06, já  constituiu-se a mesma pela indicação dos seus integrantes.

A CPI será presidida pelo "comunista" Carlito Borges (PCdoB) e terá a  Neila Becker (PT) para relatora. Os demais integrantes são Samuel Muga Jantsch (PT),  Lotário Seevald (PSB), Luciano Kroef (PPS) e Sônia Brites (PSDB). Os dois ultimos fazem parte da base de sustentação do governo municipal atual.  Os demais são "oposição".

A CPI tem o prazo máximo de 180 dias para investigar e concluir seus trabalhos.  O foco da investigação serão  os contratos de licitação de coleta de lixo, limpeza pública e da construção da ponte no Bairro Campo Grande. Não obstante este foto, originariamente, a investigação de uma CPI pode revelar outras iniquidades administrativas que tenha a ver com os caminhos para se chegar ao ponto originário. Até porque se estes fatos foram tirados de um relatório interno da prefeitura que venho a público e também foi colhido pela Policia Federal quando vasculhou a prefeitura no ano passado, há um mais pontos de escuridão que precisam se iluminados com esta investigação.

Ex-secretário Tarcisio Staudt,  será convocado  e ouvido pela CPI?
A despeito das limitações do objeto a ser investigado, a CPI, pode, por exemplo, convocar o ex-secretário de Administração e Finanças do Município, Tarcisio Staudt, que foi exonerado pela então prefeita em exercicio, Ivete Grade, em julho de 2013.  É de lembrar que foi ela quem pediu a realização de uma "auditoria" interna para apurar fatos que, tivessem ocorrido na gestão do ex-secretário exonerado.  Não obstante, não tornou público do que se tratavam estes fatos.  Parte disso, é o que consta num relatório produzido por uma Comissão de Controle Interno do qual a CPI tirou alguns fatos como objeto da sua investigação. 

É de lembrar que logo após a sua exoneração, Tarcisio Staudt, deu uma entrevista pública onde falou de "lacunas que preocupam e precisam ser verificadas" na Administração Municipal e, ainda, de "falhas grafológicas" relacionadas a assinatura de certos documentos.  Seria interessante, na CPI ele esclarecer o que são estas "lacunas" e estas "falhas grafológicas".    Disse que tudo o que afirmava estava documentado e "a disposição de qualquer autoridade para investigação da Câmara de Vereadores, do TCE ou do Ministério Público".   

Até hoje, porém, a Câmara de Vereadores não havia mostrado interesse em saber do que tratavam estes documentos ou as ilações de Tarcisio a cerca de  procedimentos da Administração Municipal, muito embora ele tivesse em várias vezes, presente as sessões da Câmara, mostrando-se a disposição.  Talvez, agora seja o momento de, através de uma CPI, o Poder Legislativo, finalmente, convocar o ex-secretário para ouvi-lo a cerca de "lacunas" e "falhas grafológicas" e também de uma tal "solicitação de um serviço que já havia sido realizado e para o qual não havia dotação orçamentária" que lhe fora pedido pela prefeita em exercicio e que o mesmo negara-se a assinar.

Há um Conselho Gestor para fiscalizar e acompanhar a execução de beneficios a empresas no municipio, você sabia?

A Lei Municipal Nº 1.029, de 29/04/2005 que "dispõe sobre incentivos para instalação e ampliação de Indústrias no Município de Estância Velha" tem no seu "corpo" a criação de um tal "Conselho Gestor".  O que diz a mesma sobre isso? Vejamos:
"...
Art. 12. Fica instituído o Conselho Gestor, com o objetivo de avaliar e supervisionar, anualmente, a concessão dos incentivos, como:
   I - Índices de retorno de ICMS;
   II - Número de geração de empregos no Município;
   III - Certidões negativas Federal, Estadual e Municipal;
   IV - Alterações de Contrato Social;
   V - Emprego de menores;
   VI - Responsabilidade social.

Art. 13. O CONSELHO GESTOR compor-se-á de 4 (quatro) membros, sendo:
   I - 1 (um) representante do Departamento de Patrimônio do Município;
   II - 1 (um) representante da Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo;
   III - 1 (um) representante da Secretaria Municipal da Fazenda;
   IV - 1 (um) representante da Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Cidadania.
   Parágrafo único. Os membros do Conselho Gestor, serão nomeados mediante Decreto Municipal e terão mandato de 2 (dois) anos, podendo ser reconduzidos.

A lei é de 2005. Até hoje nunca vi a divulgação, anual que seja, de um relatório a cerca do número de empresas beneficiadas pela mesma lei e, mais, se todas ou algumas estão atendendo ao dispositivo legal, fornecido pelo tal "Conselho Gestor".   Há inclusive um dispositivo nesta lei que impõe as empresas beneficiadas o dever de empregar, no mínimo, 60% da mão de obra nativa do municípío.  Alguma vez isso foi verificado?  Penso que seria de bom alvitre, até mesmo para propaganda oficial, tornar público o montante do total de valor de benefícios concedidos as empresas que a lei alcançou. Ou, simplesmente, quantas das empresas alcançadas pelos beneficios da lei (para cada empresa beneficiada o Executivo precisa da autorização do Legislativo) ainda operaram no município?  Quanta mão de obra empregam, o quanto representam, para o município, em se tratando de geração de tributos diretos?    Via de regra os projetos pedindo autorização para a concessão de beneficios empresas que estejam operando ou queiram se instalar no município, são aprovadas, sem maiores contendas no Poder Legislativo.  Bom seria se a cada projeto que o Executivo encaminhasse a apreciação e aprovação do Legislativo que viesse seguido de um relatório do "Conselho Gestor".   Senão, fica a sensação de que há lei, mas não há fiscalização para saber se o que ela determina esta sendo seguido e observado.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Câmara rejeita pedido de abertura de CPI por vício de origem

Documento que pedia a cassação do prefeito  foi lido na integra, e rejeitado

É dever cidadão, buscar ou instigar os poderes competentes a cumprirem com o seu deveres, conforme os preceitos constitucionais.  Os caminhos para isso devem ser todos aqueles traçados pela legalidade, mesmo e, ainda mais, se for para investigar ilegalidades sejam elas  em qualquer esfera do Poder.



Os vereadores, na sessão de hoje, fizeram o que a lei estabelece, ou seja, acolheram e leram, em plenário, o pedido para que o Legislativo se pronunciasse a cerca da proposição de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades que uma Comissão de Auditoria Interna do Poder Executivo Municipal, apontou em um relatório que juntaram ao pedido. Acolheu, estudou  o documento mas anuiu que carecia de amparo legal quanto ao objetivo.  Por esta conta, por unanimidade, rejeitaram o documento.  A alegação foi "vício de origem".  Um pedido de CPI deve ser de iniciativa do Poder Legislativo. Para que ele seja protocolado, possa ser debatido, analisado e votado é preciso que veja fundamentado e amparado dentro da lei e com a assinatura de, no mínimo, três vereadores.  Se, em plenário, receber o voto da maioria dos demais vereadores, o presidente da Casa instaura a CPI. 

Embora  possa parecer um desdém do Poder Legislativo em relação aos fatos denunciados (visto que o documento que embasava o pedido fora conseguido de forma não legal),  a rejeição do pedido interposto por iniciativa externa, serviu por outro lado a que os vereadores firmassem, ao final, um compromisso - e disseram isso na tribuna, pela fala do presidente da Casa, vereador Lotário Seevald e a vereadora Mana - de buscarem elementos consistentes e legais para subsidiar, de forma concreta, um pedido de CPI, obedecendo os tramites legais e regimentais.  

Vamos todos crer que isso se efetive.  É notório pelos últimos eventos e outros mais que ocorreram em Estância Velha, que o Erário Público esta correndo sério perigo, para dizer o mínimo.  Por fim, a que se dizer que toda a CPI nasce técnica, quer dizer, com fulcro no atendimento do dever do Legislativo que é fiscalizar o Executivo mas, dificilmente, deixará de ter a pecha de política.  Afinal, trata-se de um embate democrático, aberta também a ampla defesa dos investigados.  É algo que só é possível numa democracia, nunca numa ditadura.  Porém, a que se dizer que todas as suas decisões e conclusões só se consolidarão baseadas em evidências concretas quanto a legalidade, ao prejuízo ou até mesmo a má fé com que este ou aquele eleito ou indicado, tenha gerido a Coisa Pública.     Comprovado isso, aqueles que foram autores ou coniventes com os fatos apontados, podem ser defenestrados do Poder (cassados) e, ainda, responsabilizados criminalmente, uma vez que as conclusões da CPI devem ser encaminhadas para pronunciamento do Ministério Publico. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Carnaval precisa ter a atenção do Poder Público como Patrimônio Cultural do Municipio

Em 2011, o Poder Legislativo aprovou um projeto de lei de iniciativa da vereadora Sonia Brites (PSDB), por sinal, a única vereadora negra eleita, até hoje na história de Estância Velha,  tornando o Carnaval de Estância Velha "Patrimônio Cultural do Município" (Lei Municipal, nº 1.740, de 15 de dezembro de 2011).  A iniciativa vem de encontro também a idéia de que o carnaval é uma manifestação cultural com forte conotação da herança de africana. Isso, no entanto, não é uma evidência, visto que dele participam todas as etnias que possam existir num país totalmente miscigenado como é o Brasil.  

Mas, enfim, o que vem a ser "patrimônio cultural"?  O Wikipédia nos acode dizendo que "é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu  valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo. " Assim, o carnaval de Estância Velha é um bem imaterial.     Não há um patrimônio físico permanente que o represente, embora como manifestação cultural ele esteja materializado no povo brasileiro e, por extensão, no nosso município. O carnaval é uma festa anual celebrada de forma diferente em diverso países. Historiadores afirmam que ele teria origem na Grécia Antiga.  No Brasil, ganhou uma caráter de evento sem parâmetro no mundo pela dimensão que toma nos dias que antecedem ao seu acontecimento efetivo, numa data que é marcada levando em conta antes os acontecimentos cristãos assinalados no calendário.  Não é, portanto, um evento que foi trazido ao Brasil pelos africanos.  Mas por conta, da cultura que consigo carregavam, deixou de ser "entrudo", como era caracterizado a festa popular no inicio do século passado, da qual os negros não participavam, para se tornar um evento grandiloquente,  popular, uma marca da cultura tropical brasileira.  É certo também que 90% da população não participa diretamente da festa, no máximo, a assiste, mas nem por isso deixa de ser uma festa nacional única.

Abandonando este prolegômeno vamos ao que quis considerar quando iniciei este artigo.   O fato de, por lei, ter se tornado um "patrimônio cultural do município", esta festa popular que, em Estância Velha, acontece com um desfile de rua, que acabou dando origem a três agremiações carnavalescas na cidade nos ultimos anos, torna o Poder Público, através do Executivo, responsável por mantê-lo, protegê-lo, valorizá-lo.  Para isso se faz necessário que disponha não apenas de ações mas de recursos para que o mesmo se efetive e se fortaleça. E, por conta disso, possa se tornar uma referência, uma atração turística e, indiretamente, até gerar dividendos econômicos para o município.  Esta é a intenção e pretensão da lei aprovada. 

Carnaval  precisa ter a atenção como Patrimônio Cultural do município
É visto que as agremiações carnavalescas, se constituem também por iniciativa da própria sociedade.  Assim, a partir de esforços e ações coletivas devem se manter.  No entanto, como fazem parte do "patrimônio cultural", é também de responsabilidade do Poder Público, a partir das receitas geradas pelos tributos pagos pelos cidadãos - que, em ultima análise, do carnaval também participam numa interação cultural e de lazer - buscar prover e participar da manutenção destas entidades carnavalescas, até por que, elas são as protagonistas do carnaval na cidade.   Assim, é um tanto constrangedor, ver-se que estas entidades tem sempre que estar correndo atrás, como que mendigando, apoio e ajuda do Poder Público para manter a tradição e o "patrimônio cultural" carnavalesco do municipio. 

Não faltará quem critique a despesa gerada pela festa carnavalesca na cidade.  E, mesmo quem diga que poucos participam diretamente da mesma, que os recursos gastos para que ocorra poderiam ser investidos em outros setores.  Podem estar certos.  Mas, é dever do Poder Público,  desenvolver ações que valorizem a cultura, aquilo que esta enraizado na tradição, na historia popular.  A cultura é a identidade de um povo.  E um povo sem identidade é um povo escravo.   Se os recursos utilizados são excessivos ou mal aplicados, cumpre a controle social e aos orgãos que constituídos (inclusive o Poder Legislativo) fiscalizar.  O que não pode é desconsiderar uma lei e tratar de forma pouco profissional quanto a sua organização eventos enraizados na cultura estanciense como o Kerb e o Carnaval.

Escrevi isso diante da preocupação que observei  das entidades carnavalescas do município pela demora do Poder Executivo em definir e alcançar os recursos necessários para que as mesmas possam dar andamento a organização tendo em vista a festa momesca e o desfile de rua que está já muito próximo.  É algo meio estranho isso, pois a Peça Orçamentária deste ano tem previsto R$ 468.680,00 para prover o "Carnaval de Rua de Estância Velha".   É um valor consequente.  Talvez este embróglio inicial não seja devido a uma indisposição do Executivo com a realização do evento, mas a sua dificuldade de caixa e ao que elencou como prioridade neste inicio de ano.


PS: A propósito do carnaval com Patrimônio Cultural de Estância, no site da prefeitura, nas "imagens da cidade", não encontrei nenhuma foto sobre o mesmo, embora tenha sobre o Kerb, a "Bandinha" e um ou outro monumento.

domingo, 19 de janeiro de 2014

O que foi Palco agora será público?


Então, tá.  
O imóvel tem dividas com o Município e a União. O Município vai investir nele. O Centro de Eventos que era para ser na área adquirida no Lago Azul, agora se concretizará desta forma no outro extremo da cidade.  Acho que isso, dificilmente, evoluirá para além de mais um delírio da Administração Municipal.  Lembro que no ano passado quando baixou em Estância Velha, a Palco 7, que depois produziu a campanha Waldir/Ivete, anunciou-se até que a prefeitura teria participado com coisa de R$ 270 mil, como parceira da locação do espaço.  Coisa que, parece foi compensada de outra forma, visto que representantes do Executivo, se fizeram presentes no único grande evento que ali se realizou, inclusive, distribuindo "bebilôs" do Curtidor, aos artistas que se apresentaram no local.  
Não passa um mês sem o anúncio de alguma "coisa estranha" no município.   Nada do que anunciam é atado, finalizado.  Aliás, erro. A terceirização do hospital foi apresentada já amarrada, concretizada e as consequencias para o bem ou mal estão dadas.  A transformação do espaço da antiga Novisol em um  espaço público de eventos públicos seria o melhor excelente. Mas, é preciso resgatar o crédito das ações que realiza para que não se veja com desconfiança as realizações que anuncia.  A propósito, esta iniciativa da Administração, enterra o "projeto" da rua coberta, cujo fim seria o mesmo?  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Nova realidade do HMGV reduz atendimentos em 62,94%

Menos:  houve uma redução de 1.670 atendimentos na emergência do HMGV
A nova realidade do funcionamento do Hospital Municipal Getúlio Vargas, agora Hospital "Instituto Vida", já pode ser vista pelo volume de atendimento na emergência.  O número de atendimentos na primeira quinzena de janeiro teve uma redução de 62,94% em comparação com o mesmo período de 2013.  Até 15 de janeiro deste ano foram registrados 860 atendimentos na emergência, contra 2.313 no mesmo período do ano passado.

Na especialidade de cirurgia, no ano passado, há  28  registros. Neste ano, nenhum.  Em obstetrícia, foram 111 atendimentos. Neste ano, 52. Em 2013, foram realizados  1.670 atendimentos de clinica geral. Neste ano, 640. Na área de psiquiatria foram 17 atendimentos. Em 2014, até o dia 15, nenhum atendimento registrado. Na especialidade de pediatria, na primeira quinzena do ano passado, foram registrados 416 atendimentos. Neste ano, 181.

A questão destes números levanta uma interrogação: onde estão sendo atendidos estas pessoas que no ano passado tinham acesso a consulta e atendimento na emergência do HMGV?  Talvez a demanda das unidades de saúde da familia (USF que a gestão atual rebaixou para UBS) tenham tido um incremento do mesmo percentual igual ao que demonstra a redução na emergência do hospital.   Por outro lado, se as unidades de saúde tiveram este aumento da demanda, então, os que procuravam o hospital não o faziam em vista de situação de emergência em saúde, mas para consultas que a rotina de uma unidade de saúde poderia atender.  Ora, no entanto, faziam isso também por que não havia disponibilidade de médicos nas unidades que pudesse resolver em cada bairro onde tenha uma unidade de saúde os problemas de saúde demandados pelos usuários que não eram emergências.

Noutra ponta, ainda, o menor volume de atendimento em obstetrícia, cerca de 54%, implica também num outro fato (embora nem todos os atendimentos de obstetrícia resultem em partos): um maior número de gestantes que estão tendo seus filhos hospitais de outras cidades.  Isso (por local de nascimento) reduziria a taxa de natalidade da cidade e, em consequência, poderia aumentar o indice  de mortalidade (que é mensurado sobre o total de nascimentos num município). Visto que pode-se nascer fora e óbitos serem registrados no município.

Mas voltando a questão da redução geral da demanda no HMGV/Instituto Vida.  É visto e claro que a rede de unidades de saúde, não tem - pelo menos não tinha no período, como foi ao longo dos últimos anos -  recursos humanos (médicos) para atender aos usuários que a ela demandam.  É de lembrar que das 8 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), apenas duas funcionam com profissional médico concursado e em tempo integral (40h), muito embora em uma seja frequente as faltas desse profissional (mas isso não preocupa a secretária embora seja um desrespeito ao cidadão, chegar na unidade de saúde, esperar para receber a informação de que o médico não compareceu naquele dia).  Nas demais unidades são médicos eventuais que atendem via contrato com empresas prestadoras de serviços de saúde (terceirizado).  Então, nestas condições, para onde foi esse povo que deixou de demandar ao HMGV?  Ficou sem atendimento aos seus problemas de saúde? Estes se agravaram? Ou não tinham nada e apenas gostam de visitar e perturbar o atendimento na emergência?

É certo que a realidade da saúde num município não se mede pelo tamanho do hospital que tenha.  Antes, mede-se por uma rede de atenção primária e secundária bem estruturada e que se comunique entre si.  Quando melhor e maior for esta rede, menos dificuldade terá o cidadão para ter acesso aos serviços de saúde e, mais, havendo uma política efetiva de saúde, as ações no campo da promoção e prevenção da saúde, minimizam o custo tecnológico e humano nas ações de recuperação da saúde.   Mas isso é coisa que leva tempo para se construir e, ainda mais tempo, quando se desconstrói o que estava construido para voltar a construir de novo a mesma coisa.  Pior ainda quando, para fazer isso, a gestão da saúde funciona e atende apenas em meio expediente.