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terça-feira, 7 de abril de 2009

O inço da corrupção

"...Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo.” (Padre Antonio Vieira – Sermão do Bom Ladrão - 1655)

A ladroagem, a gatunagem explicita e implícita, a falta total de consciência moral, de ética, campeia de norte a sul. Governos legitimamente eleitos se sucedem e são nomeados apenas novos coordenadores da roubalheira endêmica que se instalou, em todos os poderes da República e em todas as suas instâncias do município a União. Pior, é que isso não é uma mal apenas do Poder Público. A sociedade esta tomada por esse “inço”, até por que o Público existe dentro dela. Não se pode deixar nenhum de fora. Diante da desnudação de tantos casos, crer que exista em alguma esfera da sociedade “alma limpa”, torna-se cada vez mais difícil.

Não terá isso fim? “A oportunidade faz o ladrão?” Esta afirmação corrente no senso comum é verdadeira? Diante de tudo isso é difícil acreditar que não. Será possível a um pai ou mãe ensinar a seguinte lição aos seus filhos: “Pessoas pensam, conversam. Se precisar algo que você não tenha trabalhe, lute para isso, mas de forma honrada, digna.” Isso não se aprende apenas com palavras mas com exemplos. Foi o que aprendi em casa mais do que em todos os livros que já tenha lido na vida. E, meu pai e minha mãe eram analfabetos.

Os ladrões instalados nas esferas públicas, inclusive, naquelas que deviam combater os ladrões, não fazem o que fazem por um aprendizado e “más companhias” depois de adultos. Se não veio o exemplo de casa ou, então, da falha dos pais de observar as companhias e ações dos filhos na infância, não foi a convivência com ratos adultos que o ensinou ser os ratos que hoje são. O caráter se forja na família, em outros ambientes ele é apenas testado.

O que se viu no Estado a partir do escândalo do Detran (e seus múltiplos nuances) coloca por terra até mesmo o discurso dos pseudo-separatistas que querem fundar uma República Riograndense, sob o falso argumento que somos um estado melhor que o resto do país. Ledo engano. Estaremos todos esperando uma oportunidade para assumir o poder e “cuidar dos nossos interesses”? Será isso mesmo? Como ter firmeza absoluta de nossas convicções diante de tudo isso que ai está e, pior, sempre esteve? É possível livrar o país, o estado, o município, deste “inço” que infesta o caráter da nação?

Aqueles que postularam a prefeitura ou a uma vaga no Legislativo na ultima eleição podem dar para o povo alguma esperança, nesta direção? Já estamos a caminho de uma nova eleição (em 2010, para presidente da República, Governo do Estado e para o parlamento Estadual e Federal). Sinceramente, observando o quadro e os que ai estão é difícil enxergar outro horizonte que não este que já temos empestiado pela chaga da falta de qualquer caráter no que diz respeito ao trato com a Coisa Pública. Tudo é muito triste, deprimente.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Coisas do Brasil


“O Senado é uma bagunça”
por Mônica Bérgamoda Folha de S.Paulo

Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:

FOLHA - Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO - Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA - Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA - É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA - Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA - Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA - E qual é o seu salário?
LUCIANA - Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA - Cumpre horário?
LUCIANA - Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA - E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA - “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Estudantes não atiram paralelepípedos


Só há um coisa capaz de mudar a sociedade, a politica, um governo corrupto: a rebeldia crítica e consciente da juventude!
No RS, parece que os jovens querem acordar a pasmaceira da sociedade para o que esta acontecendo no Estado, desde o inicio do governo Yeda/Feijó.
Esta semana, estudantes das escolas estaduais e também de universidades sairam as ruas para alertar a sociedade e pressionar os políticos. Querem apear a governadora do poder. Não querem esperar até as eleições do ano que vem. Estaremos vivendo novos tempos?
Lembro de um conto que li há muito tempo, não sei quem era ou autor, mas o titulo era: "Agricultores arrancam paralelepídos". Os estudantes do Rio Grande do Sul, não pretendem fazer tanto, nem precisam, basta que se movimentem, que provoquem, que pressionem. O fungo que se incrustrou no Piratini, precisa só disso para ser arrancado.
"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." ( Martin Luther King)

domingo, 22 de março de 2009

Antro de animais politicos



Congresso Nacional

Antropon politicon
Antro de animais políticos
A política é um antro de animais
O homem é sempre um animal político
A política é a arte de conviver na cidade
No congresso convivem homens-animais

No congresso convivem homens-animais
A política é a arte de conviver na cidade
O homem é sempre um animal político
A política é um antro de animais
Antro de animais políticos
Antropon politicon

domingo, 15 de março de 2009

Eles, os de sempre.


Aí está a tropa que compõe os aliados de AlYeda Babá. Veja o gesto captado pelo fotógrafo da Assembléia, quando um dos chefes dizia em frente a caverna do Erário Público: "Abre-te Sésamo!"

Mais um delito coletivo


A Assembléia Legislativa, por maioria dos deputados governistas e outros comprados de ultima hora com cargos no governo, manteve o veto da Ingovernadora Yeda Crusius (PSDB), que era contrária a restituição de parte dos salários surrupiados aos professores devido a greve do ano passado. Surrupiado, porque as aulas foram recuperadas. Se houvessem aulas não recuperados caberia o não pagamento, mas esse não foi o caso da grande maioria. Então, fomos roubados pela AlYeda Babá e seus 27 Roubalhões. Uma tristeza.
Certamente, para AlYeda Babá e seus 27 Roubalhões, não fazem a mínima diferença, os R$ 320,00 que surrupiaram do meu contra-cheque. Afanam diuturnamente muito mais do que isso, por hora.
E, lembrem, no ano passado a Assembléia Legislativa concedeu um aumento de 143% no contracheque da nossa AlYeda Detran Babá Deficit Zero. Hoje, ela sofre a injustiça de ter o Imposto de Renda incidindo sobre R$ 17 mil e não mais sobre míseros R$ 7 mil, que antes ganhava. Uma coitada.

quarta-feira, 11 de março de 2009

A questão do aborto, de novo

De tempos em tempos, por conta de algum acontecimento envolvendo violência sexual (coisa, infelizmente, cada vez mais comum nos dias de hoje) que a mídia espetaculariza, vem a baila a questão do aborto. O mais recente destes tristes fatos, foi a violência cometida contra uma menina de 9 anos. Não bastasse a tragédia da violência sexual praticada contra ela pelo padrasto, ela engravidou, de gêmeos.
Diante de um fato tão terrível e, constatando que a vida da menina corria risco, a mãe autorizou, com a anuência da Justiça, que médicos realizassem o aborto. A Igreja Católica - que pela sua ascendência majoritária na população brasileira, sempre se pronuncia sobre estas questões - condenou a atitude e, por serem, mãe (a avó) e os médicos católicos, excomungou-os. Ou seja, com base no código canônico (leis que regem a conduta da igreja), julgou sumariamente estes fiéis, decidindo por excluí-los do convívio dos demais fiéis da igreja católica. Por si só tal atitude já é um pecado também, mas isso é outra questão.
Com base nos seus cânones, deve-se dizer que está correta a atitude da Igreja Católica, exercida pela autoridade dos seus bispos e do Papa. Estão corretos também os médicos que realizaram o aborto. Conhecedores da fisiologia humana, tinham plena noção de que, embora, extraordinariamente, a menina, aos 9 anos já estivesse com sua aptidão reprodutiva ativa, fisicamente, não teria condições de suportar uma gestação sem colocar em risco a sua própria vida. Tratava-se de uma a gestação e o parto de altíssimo risco e a única garantia de vida da criança-mãe, seria abortar os embriões ainda incipientes. Os médicos optaram por preservar a vida que já existia em detrimento de algo que ainda era um prenúncio de vida. Aqui é, de qualquer forma, outro dilema ético que perseguirá a humanidade até o final da sua existência: quando começa a vida? Embora haja controvérsias quanto a isso, não há quanto ao fato de que toda a vida que diante de nós está deve ser preservada.
O fato Igreja não ter excomungado o estuprador, nem a criança-mãe, justificou-se pelo juízo de que na “escala de pecados”, o crime de estupro é menor que o crime contra a vida. Já a criança ainda não tem discernimento para uma interpretação ética, ou seja, a ela ninguém consultou se queria ou não o aborto (talvez até porque nem entendesse bem, aos 9 anos, o que era uma gestação e o que crescia do seu ventre). Por esta via racional, o hediondo o crime de estupro, embora abale psicologicamente para sempre a vida de um ser humano, não lhe tira a vida. Então, sob este aspecto, a justificativa da igreja é racionalmente aceita, embora seja inadmissível do ponto de vista humano.
Há 2.500 anos Heráclito, filósofo grego afirmava: "pan tá rei", ou, "tudo corre, muda". Assim é a natureza, a vida, os conceitos, a cultura. Como a filosofia trabalha com o propósito da razão na busca da verdade ou das verdades, cada um é a medida da interpretação que faz do mundo onde vive. O conflito entre a razão e a religião, entre esta e a ciência, não vem de hoje, e não se esgotará amanhã. Se se esgotar, o mundo deixaria de mudar e, não faríamos mais parte da existência. Na morte não há mais nenhum conflito ético ou religioso, nem nenhuma violência mais para nos chocar e confundir.