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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tiriricas e Anas Amélias

No Rio Grande do Sul, o número de candidatos estapafúrdios a Câmara Federal, a Assembléia Legislativa e mesmo ao Senado Federal, não chega a espantar. Mas pelo pais a fora tem figuras de todos os naipes. Nota-se que há um crescente número de candidaturas que os partidos, principalmente, os nanicos ou aqueles decrescentes em votos nas ultimas eleições, apresentam na tentativa de chamar votos. Estes candidatos tem em comum certa "famosidade". Ou são oriundos da TV onde utilizavam a "janelinha" para apresentar programas ou tecer comentários "econômicos e políticos". Ou simplemente, ganharam espaço na mídia por alguns adjetivos fisicos. Ou, então, simplesmente, por que apareciam na TV fazendo papel de abobados cômicos.

Nesta linha, São Paulo tem a candidatura, este ano, do palhaço Tiritica (aquele da Florentina, Florentina), do ex-boxeador Maguilla, "estilista" Ronaldo "Agulhadas" Esper, de uma tal "Mulher Pera", de abundância reconhecida em letras funk de qualidade duvidosa, entre outros "famosos".

No Rio Grande do Sul, não descemos a tanto, embora tenham aparecido no programa eleitoral alguns candidatos bisonhos. Mas temos aqui, "O homem do tempo", o ex-apresentador climático da RBS, Paulo Borges que, depois de se eleger com mais de 100 mil votos, para deputado estadual pelo Democratas (ex-PFL), tenta a releição. Tem ainda Ana Amélia, do PP (comentarista "politica e econômica da RBS/TV) que quer ocupar a vaga que será deixada pelo radialista da RBS/Farroupilha, Sérgio Zambiasi, no Senado. Ou seja, Zambiasi ficou 8 anos no senador e eclipsou-se. Agora a RBS tenta substitui-lo pelo discurso de "novidade" politica de Ana Amélia.

Menos ruim, que os candidatos gaúchos que se utilizam de forma desonesta da vantagem que tem de exposição intensa e o ano todo na TV e em outros veiculos de comunicação onde trabalham, que não manifestaram uma plataforma de propostas como a de Tiririca. Em entrevista à Folha publicada na semana passada, Tiririca foi questionado sobre os projetos que pretende levar à Câmara. "De cabeça, assim, não dá pra falar",justificou. Ele também negou que, caso eleito, vá andar fantasiado por Brasília. Na propaganda na TV, o candidato a deputado federal diz que não sabe o que faz um deputado mas promete que ser for eleito ele conta. O bordão que usa é: "Vote Tiririca, pior que está não fica". Apropriado.

Na TV, o candidato cearense evita fazer promessas complexas. A mais famosa até agora se resume a contar ao eleitorado o que, afinal, faz um deputado federal --mas, só depois de eleito. Embora diga no horário eleitoral gratuito que, se eleito, pretende ajudar "inclusive" sua família, Tiririca já foi destaque de páginas policiais em um caso violência doméstica. Em 1998, o palhaço foi levado de camburão à 6º Delegacia Seccional de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de agredir a tapas Rogéria Mariano da Silva, sua mulher. Mais tarde, ela retirou a queixa. Ah! O partido de Tiririca é coligado com o PT, em São Paulo, que apoia Aloisio Mercadante candidato a governador.

Quem quiser rir um pouco pode clicar neste link para ver o video que circula no Youtube, com alguns candidatos bisonhos.




Bombeiros Voluntários em debate

Há um debate corrente em Estância Velha, diante da pauta colocada pela própria Sociedade dos Bombeiros Voluntários do município a cerca da possibilidade e intenção da entidade consorciar-se com a Brigada Militar para tornar-se uma instituição mista. Ou seja, atuar numa parceria sob o comando da Brigada Militar. Criada em 1999, a Sociedade de Bombeiros Voluntários, é uma Organização Não Governamental (ONG) e tornou-se uma instituição respeitada no município. Sendo mantida por recursos privados mas também públicos (por certo, de forma majoritária), constituiu-se numa referência não apenas a sinistros mas também no socorro a população de um modo geral. Os bombeiros são requisitados não apenas para apagar incendios ou devido incidentes naturais, mas também para atendimento a feridos em acidentes de trânsito, traumas domésticos, cidadãos em risco de saúde e, até mesmo, para recolher pessoas embriagadas em bares ou pelas ruas da cidade.

Há, em alguns aspectos, certo abuso na requisição dos serviços dos bombeiros, mas em muitos casos a pronta e rápida ação dos mesmos já salvou vidas. Hoje, com certa de 50 associados e parceiros voluntários, os bombeiros de Estância Velha, estão 24 horas por dia de prontidão. Tal serviço tem um custo, precisa de um gerenciamento efetivo, profissional. Como seus fundamento é o voluntariado isso exige que pessoas qualificadas disponham do seu tempo também para gerir estes serviços nos seus aspectos financeiro e pessoal. Não é uma atividade simples. Mais simples é a atividade dos nossos vereadores e estes são remunerados regiamente e ainda tem assessores para "ajudá-los" a legislar. Sem contar que estão em permanente buscar de aperfeiçoamento fazendo cursos todos os meses, como se sabe. Como se vê, para o exercicio da atividade legislativa se exige disponibilidade de tempo e preparado, quanto mais para o exercicio e gestão de um serviço, hoje essencial, como o dos bombeiros volutários.

É uma discussão importante para a comunidade. Os bombeiros voluntários tem como permanecer nesta condição única? Torná-lo misto com a participação da Brigada Militar criaria uma organograma hierárquico diferenciado, isso melhoraria a gestão de pessoal? Os serviços atualmente prestados pelos bombeiros seriam mais qualificados? Não seriam, alguns, mantidos? As urgências de saúde passariam a alcaçada de quem? Na verdade, neste campo, da saúde, qualificado e preparado é o Serviço Atendimento Médico de Urgencia (SAMU)? Estas e outras questões precisam ser ponderadas. Ainda, a principal, a manutenção do serviço dos Bombeiros. Reduzindo a sua atividade (por exemplo, não prestando mais o serviço no atendimento as urgências de saúde da população), a prefeitura, principal mantenedora da ONG, continuaria com o mesmo valor nos repasses? Ou, com a Brigada o custo de manutenção aumentaria?

Como me interesso por acompanhar a evolução tanto da receita como das despesas do Município, fui pesquisar o quanto a prefeitura repassou a Sociedade de Bombeiros Voluntários nos últimos 10 anos. Cheguei a total de R$ 1.116.690,55, de 2001 até junho de 2010. Mas se projetarmos, pelo valor repassado até junho (R$ 75.368,90), para o restante do ano de 2010, chegamos a um valor total de R$ 1.192.049,45, na década. O interessante é que comparado ao repasse de 2001, o valor total que previsto para 2010, representa um crescimento de 83,93%.


Fui buscar uma comparação. Achei a Associação da Banda Municipal que também recebe recursos da prefeitura. Em 2001, recebeu R$ 19.440,00. Em 2010, até junho, R$ 32.020,00, se projetarmos até o final do ano, o valor deve chegar a R$ 62.040,00. Ou seja, um valor total no periodo de 10 anos de R$ 362.798,89. Em termos percentuais, houve no período representará um crescimento de 219,15%.

Achei interessante. Ambas as instituições que funcionam com recursos majoritamente públicos, tem a mesma importância? Viveríamos sem a banda? Ou agora, é possivel a comunidade ficar sem os serviços dos bombeiros voluntários?

A questão de transformar os bombeiros numa instituição mista (público/privada), é um debate que merece ser bem equilibrado quanto aos seus beneficios e quanto aos seus resultados. A banda também?

Dia 11, próximo, haverá uma assembléia da Sociedade de Bombeiros Voluntários para tratar do assunto da mistura com a Brigada Militar. Quiçá, se apresente uma debate produtivo que leve a uma decisão sábia.




segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A propósito de conceitos de Ética

O filósofo Imanuel Kant tem como propósito estabelecer uma ética racional. Ou seja, uma ética que possa ser efetivamente implementada pelos seres humanos racionalmente, independente da fé e da revelação divina. Em seu livro Crítica da Razão Pura, Kant analisa os limites da razão humana. Ele conclui que as três coisas que envolvem nossas preocupações morais, Deus, a alma imortal e a liberdade, podem apenas serem pensadas e não conhecidas efetivamente. A nossa razão, portanto, não consegue objetivamente conhecer os objetos que correspondam aos conceitos pensados: "Deus", "alma imortal" e "liberdade". Deste modo, Kant vê a necessidade de ultrapassar o uso reflexivo e intelectual que fazemos da razão para uma razão que também tenha um uso prático. A isto Kant chamou de "razão prática". Portanto se não é dado conhecermos estes três conceitos intelectualmente e para não aceitá-los dogmaticamente, é necessário os justificar e os fundamentar através da razão prática. É inerente a razão prática admitir a realidade da liberdade, da alma imortal e de Deus. Disse Kant: "Fui obrigado, portanto, a suprimir o saber para dar lugar à fé". Mas nesta frase a "fé" pressupõe uma fundamentação pela razão prática e não pela revelação e crença.

A Ética kantiana é fundamentada pela "razão prática" e pela "liberdade".

A diferença entre a razão teórica e a razão prática é que, a primeira visa, através da especulação ou investigação reflexiva, o conhecimento, e a segunda visa o agir. Para que o homem realize o seu desejo inato de ser feliz, ele terá que agir em sociedade com prudência, isto é uma necessidade. Em função disto, a pergunta "o que devo pensar para ser feliz?" não é suficiente para realizar a felicidade, é necessário se perguntar também "o que devo fazer para ser feliz?". Observar que para Kant os três objetos "Deus", "a alma imortal" e "a liberdade" são o "fim final" para ser feliz. Ora, se as leis da natureza são todas necessárias, ou seja, todo fenômeno tem uma causa necessária, de outro modo, para cada efeito há uma causa, como pode existir a liberdade, que significa a total falta de necessidade?

Kant irá dizer que a liberdade é espontaneidade absoluta, ou seja desvinculada de qualquer causa a priori. Ela não é uma liberdade apenas em pensamento (imaginação) e também não é uma liberdade que se coloca como que para ficar livre das coisas ruins (psicológica).

Para estabelecer sua Ética, Kant parte de dois pressupostos para ele essenciais:
1º . O ponto de partida de toda reflexão ética é o conceito de "boa vontade", ou seja, sinceramente, devemos ter uma vontade de atingir o bem. Esta intenção traduz-se em uma "boa vontade". Não é portanto atingir a felicidade através dos prazeres, os instintos humanos dão conta deste tipo de felicidade.
2º. A ação moral deve ser realizada "por dever", ou seja, dever num sentido moral é o dever que respeita uma lei moral. Portanto, a ação moral é realizada cumprindo-se uma lei moral que é inerente ao ser humano sem nenhuma causa que a motive, sem nenhum fenômeno que a fundamente. A lei não fenomênica, a lei é nomênica.

Pode-se perceber que a Ética e a liberdade em Kant são interdependentes. E a perfeição moral, por exemplo, a ética de um homem santo, é um atributo de uma vontade livre, que é capaz de agir segundo a lei moral. Esta lei é chamada de imperativo categórico, e ela é expressa por Kant de quatro maneiras diferentes:

 "Age somente segundo uma máxima por meio da qual possas querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal."
 "Age de tal maneira que a máxima de tua vontade possa valer igualmente em todo tempo como princípio de uma legislação universal."
 "Age de tal sorte como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da Natureza."
 “Age de tal maneira que trates sempre a humanidade, tanto em tua pessoa quanto na de qualquer outro nunca simplesmente como meio, mas ao mesmo tempo e simultaneamente como fim."

O imperativo categórico assemelha-se a lei áurea bíblica: "Não faças com os outros aquilo que não queres que façam contigo."

A ética kantiana é pautada por uma "vontade livre" que significa a autonomia da vontade, este é o princípio supremo da moralidade ou da eticidade. Uma vontade autônoma adota o imperativo categórico como o único modo de atingir a moralidade. Uma vontade heterônoma está sujeita às vicissitudes da vida, ela "é a fonte de todos os princípios ilegítimos." Portanto, "a vontade autônoma é uma causalidade dos seres racionais e a liberdade é a propriedade dessa causalidade pela qual ela pode agir independentemente de causas externas que a determinem."

Concluindo, Marilena Chauí diz: "A razão prática é a liberdade como instauração de normas e fins éticos. Se a razão prática tem o poder para criar normas e fins morais, tem também o poder para impô-los a si mesma. Essa imposição que a razão prática faz a si mesma daquilo que ela própria criou é o dever. Este, portanto, longe de ser uma imposição externa feita à nossa vontade e à nossa consciência, é a expressão da lei moral em nós, manifestação mais alta da humanidade em nós. Obedecê-lo é obedecer a si mesmo. Por dever, damos a nós mesmos os valores, os fins e as leis de nossa ação moral e por isso somos autônomos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ainda tudo com dantes no Legislativo de Abrantes.

A divulgação e a transparência prometida pela presidência da Câmara de Vereadores de Estância Velha, ainda não apareceu no site da mesma. Ali, consta de forma pouco clara, um pouco do trabalho dos vereadores (pedidos, projetos, etc), uma manifestação onde não explicam mas justificam os gastos com diárias em cursos fajutos como sendo importantes para o trabalho legislativo e, ainda, estarem plenamente dentro dos preceitos legais. É claro, queixam-se das criticas que receberam e vem recebendo. Ou seja, ainda a população esta por ver se haverá alguma mudança de atitude no procedimento do Legislativo. Pelo que tudo indica, esperam que amaine o vendaval, na expectativa que "tudo continue como dantes no quartel de Abrantes". De qualquer forma o site da camara é este: http://www.camaraev.rs.gov.br/


domingo, 22 de agosto de 2010

Crise de identidade



O jingle do candidato José Serra acumula as funções de tentativa de fraude e admissão de derrota.

Fraude porque mente (insistentemente) ao dizer que José Serra é o candidato da continuidade e não da oposição. O jingle mais do que sugere, afirma que Serra - subitamente transformado em Zé - é o cidadão de origem humilde que “foi a luta e venceu”, como o Lula, e por isso é o melhor candidato para o “Brasil seguir em frente”.

Nos últimos sete anos e meio, a oposição - e sua imprensa – referiu-se ao Lula como ignorante, analfabeto, bêbado, estuprador de meninos, mentiroso, ladrão e assassino. Hoje, faltando dois meses para a eleição, Lula ocupa o primeiro verso do jingle do candidato desta mesma oposição. “Era brincadeirinha, nós também adoramos o Lula! Apedeuta era elogio, quer dizer ‘fofinho’!”

Admissão de derrota porque nunca em toda a história deste país (ou de qualquer outro, que eu saiba) se ouviu um jingle de um candidato de oposição que incluísse o nome do titular do cargo ao qual este candidato faz oposição. É como se o hino do Flamengo incluísse o nome do Vasco.

O jingle da oposição investe na ignorância e/ou desatenção do eleitor, uma aposta que se tornou um padrão. Não tem dado muito certo. Depois de sete anos e meio de ataques imponderados ao presidente e ao seu governo, os demotucanos chegam à eleição com um jingle em que o refrão grita, com todas as letras, o nome de Lula da Silva, mas não o nome do seu próprio candidato, José Serra.

(O jingle)

Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Com Zé Serra eu sei que anda
É o Zé que eu quero lá

José Serra é um brasileiro
Tão guerreiro quanto eu
É um Zé que batalhou
Estudou, foi à luta e venceu

Zé é bom e eu já conheço
Eu já sei quem ele é
Pro Brasil seguir em frente
Sai o Silva e entra o Zé

José Serra foi Ministro
Deputado e Senador
Esse Zé já foi Prefeito
Zé já foi Governador

Tá testado e aprovado
Por tudo que ele já fez
Sempre teve do meu lado
Eu quero Zé Serra dessa vez

(refrão)
Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Com Zé Serra eu sei que anda
É o Zé que eu quero lá

Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Agora é Serra Presidente do Brasil.

sábado, 21 de agosto de 2010

Dilma dispara na frente, aponta ultima pesquisa

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, abriu 17 pontos de vantagem para seu principal adversário, José Serra (PSDB), e venceria a eleição presidencial de outubro ainda no primeiro turno, mostrou pesquisa do instituto Datafolha neste sábado.

O levantamento, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, apontou crescimento de seis pontos percentuais de Dilma, que agora tem 47 por cento das intenções de voto, contra 41 por cento no levantamento anterior realizado no início do mês.

Já Serra caiu três pontos em relação à sondagem anterior, feita entre 9 e 12 de agosto, e agora tem 30 por cento. A candidata do PV, Marina Silva, caiu um ponto e agora tem 9 por cento da preferência do eleitorado, segundo o instituto.

Nenhum dos demais candidatos conseguiu somar 1 por cento no levantamento. Quatro por cento dos entrevistados declararam voto nulo ou branco, contra 5 por cento na pesquisa anterior, e 8 por cento declarou-se indeciso, contra 9 por cento na sondagem do início do mês.

Segundo o Datafolha, quando considerados somente as intenções de votos válidos, ou seja, desconsiderados os brancos e nulos, Dilma fica com 54 por cento, o que lhe garantiria vitória no primeiro turno, marcado para 3 de outubro.

O Datafolha ouviu 2.727 pessoas em todo o país na sexta-feira, 20 de agosto, após o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No RS, a vantagem do candidato Tarso Genro (PT), sobre o segundo colocado Fogaça (PMDB), já é de 10 pontos percentuais. Aqui, no entanto, ainda não existe distância suficiente que indique vitória no primeiro turno.



MP faz busca em empresa de POA, por crime eleitoral

O Ministério Público Eleitoral realizou sexta-feira (21) uma operação de busca e apreensão em um escritório no Centro de Porto Alegre, onde supostamente estaria ocorrendo crime eleitoral e possivelmente a compra de votos, informa matéria de Mylene Oliveira, publicada neste sábado no jornal Correio do Povo. Segundo a reportagem, o suposto esquema envolveria a tentativa de convencer os eleitores a votar no candidato José Serra (PSDB) por meio da exibição de vídeos negativos sobre a história de vida da candidata Dilma Rousseff (PT). Os eleitores eram abordados na rua e convidados a subir até o 6° andar de um prédio na rua dos Andradas, onde assistiam vídeos e respondiam algumas perguntas. Após responder a um questionário, os eleitores ganhavam uma caixa de bombons de presente.

A funcionária pública Bruna Quadros decidiu denunciar o caso após ser abordada no centro de Porto Alegre por uma suposta pesquisadora. Ao responder que iria votar em Dilma Rousseff, ouviu a seguinte réplica da entrevistadora: “Não quer trocar pro Serra, não?” – pergunta seguida de um convite para entrar no prédio da Andradas, assistir alguns vídeos (contra Dilma) e ganhar uma caixa de bombons. As autoridades suspeitam que o mesmo esquema está funcionando em outras regiões da capital, operado por uma empresa de São Paulo contratada para atuar aqui em Porto Alegre. O MP Eleitoral apreendeu computadores, formulários, notas fiscais e caixas de bombons, e deverá ouvir os envolvidos nos próximos dias. Segundo o promotor Ricardo Herbstrith há indícios de tentativa de indução do voto, o que constitui crime eleitoral.